domingo, 10 de janeiro de 2010

como vim parar aqui PARTE I

eu ia parar de escrever que estava começando a ficar com tedio, mas apareceu os pernilongos, e depois, quando ia fechar, olhei pra essa foto ai em cima, a capa do meu blog, essa parede suja e essa janelinha com cara de campo de concentração, e me veio a historia dela, essa parede ficava na frente da minha sala, da casa antiga, ano passado, eu morava sozinho, minha primeira casa sozinho depois de anos tentando, e acho que por causa dessa janelinha acabei aqui onde estou, na casa da minha mãe, novamente, meio prisioneiro da responsabilidade e do medo da culpa, e uma certas dose de preguiça.
a foto aqui do lado é da antena dessa minha antiga casa, e meu irmão está em cima dela, o céu lá era imenso, aqui agora tenho pequenas frestas, engraçado assim dizendo tudo parece longe, mas a casa esta aqui ao lado, uma parede me separa dela, e por acaso está vazia. faz um ano que sai dali e vim praqui. voltemos a janelinha...
foi meio esquisito, primeiro tive uma briga com minha mãe e disse pra ela cuidar da vida dela e que eu ia cuidar da minha, cortei relações, na medida do possível, ela chorou muito, me atormentou como pode, depois acalmou, então apareceu uma linda pombinha no meu vaso pendurado na porta da cozinha, ai nessa parede da foto, ao lado desse vidro, ela fez um ninho e parecia tão lindo... rapido ela botou dois ovinhos, nasceram dois pombinhos, tudo lindinho, então comecei a me coçar, e descobri pequenos carrapatinhos, muito lindinhos pela casa, que praticamente me espulsaram, mas fui mais corajoso que eles e consegui extermina-los e enchotei as pombas sem piedade. ela me olhavam a distancia com cara de "como voce é cruel, somos tão fofas..." insistiram um pouco, mas acabaram desistindo de voltar. bem, mal terminada essa pequena batalha, mudou pra casa visinha uma senhora e algumas amigas... montaram um bar reservado, e uma musica insuportavel começou a tocar durante todo o dia, e até a noite, eu trabalho em casa, e preciso de uma concentração meio chata pra entrar nos meus estados paralelos de produção. coisas ridiculas me incomodam, luz, cadeira, roupa, e... sons...
foi crescendo e ficando insuportável, todo o som vinha dessa janelinha ai em cima, que ficava a um metro da minha sala, onde eu trabalhava, ou seja, é como se estivessem dentro da minha casa. então começou o álcool, brigas, e etcs... era surrealista. junto com isso comecei uma serie de amores internéticos muito estranhos, que me traziam todo um passado de amores mal sucedidos, um mergulho no passado tentando colocar no lugar e dar todas as respostas que em outras épocas eu não dei. embriagado pelo alcool que não tomei, participando auditivamente de brigas que não criei, sofrendo por pessoas que não via, não tocava, era esse meu mundo no final do ano passado. um mundo de virtualidades, até meu trabalho, meus contatos eram por fone ou Email e sedex, ou seja eu não via meus clientes , não sabia sua reação ao meu trabalho, e meu único feedback era dinheiro mesmo. pra um artista dinheiro não é suficiente...
continuo depois...
... a nuvem de pernilongos voltou, as teias de aranha estão vazias, o que fazem essas aranhas que permito construirem suas imensas teias nos cantos das paredes? deveriam estar comendo os pernilongos, mas que nada, estão vazias, e os pernilongos voando felizes... aranha vagabunda...

Diário de bordo,10 de janeiro, 2010

Bem, estou a pensar aqui em escrever minhas memórias, há anos penso nisso, mas morro de preguiça, e pensar no passado me dá um pouco de tédio. Acho que sou visual demais pra conseguir me dizer em palavras, então, também nem sou tão bom artista assim pra me dizer em imagens. Escrevo errado,

Vou tentar começar pelo hoje,

Hoje é domingo, 8:30h da manha não tenho nada para fazer, minhas sobrinhas dormem na sala, a porta da cozinha está trancada, minha mãe esta viajando e levou a chave, sai para o quintal pela janela dos fundos, pra fumar um cigarro, já fumei 4. Já tomei vários copos de café, já fiz meditação, já conversei com Deus, e são 8:31h da manha. Estou de férias. Até dia 20. Não que quando eu estou trabalhando seja diferente, a sensação é a mesma com a diferença que sei que tenho algo que serei obrigado a fazer. Está um dia bonito de sol e eu podia sair andando pela rua. Mas não saio.Não me pergunte porque.tá bom, eu digo. Acho esquisito andar na rua a esmo, acho que tenho medo, ou fico meio incomodado, tenho sempre a impressão de estar sendo vigiado. É por isso que eu paro meus diários, nessa parte que começo a escrever, e lendo o escrito fica parecendo muito doente, muito deprimente, mas na real nem é tanto assim. Eu não gosto de por sapatos, ando descalço o dia todo, minhas roupas são sujas de tinta, ou furadas, e conforto é fundamental, tenho horror de me sentir apertado, suado. E quando se sai na rua, é preciso fazer alguns ajustes básicos. Amanha continuo. Isso está me dando sono.

Fui.