domingo, 31 de agosto de 2014
voltando para o assunto do topo, porque desapareci daqui, depois dessa reflexão, me dei conta de como a tendencia foi ter um perfil publico que ia de encontro aos interesses do empresario, ou seja, não seja pessoal, não mostre suas arestas, e se possível, se o elefante for inevitável, que pelo menos combine com a cor do sofá. aqui era para ser pessoal, mostrar minhas arestas e o elefante destruir o sofá, e cagar no meio da sala. qual o sentido disso? reflexão. acho que é o objetivo primeiro tanto do artista quanto do "pessoa", modificar, repensar, recriar, propor, questionar, re-evolucionar, redizer, contra-adicionar. tudo isso me da a sensação de viver, adoro o "eu empresario" mas ele só pensa em sobreviver, e isso é pouco, ou muito, dependendo da circunstancia, claro.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
natal 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Relendo esse ultimo texto, depois de um tempo que o escrevi percebo que a sutiliza das duas frases que sublinhei la em cima, as que mereciam um post a parte, talvez tragam a solução e a moral desse post. Ou seja, o artista deve ser um tradutor do poético dentro da realidade e trazer esse universo para o mundo real, e como um bom tradutor entender muito bem as duas linguagens, como uma espécie de médium, fazer a ponte entre um mundo e outro, sem perder o que tem de humano e prosaico, o comum que nos une. já o louco, simplesmente mergulha no universo imaginário e simbólico passando a viver por lá, e desaprendendo a linguagem do real se torna por aqui apenas um fantasma, ou melhor dizendo, um corpo sem alma, já que sua alma está em outro país, o do imaginário.
E sobre a velha discussão de viver a arte, eis ai minha resposta por agora, não é uma questão de escolha, entre arte e real, poético e pratico, não se trata de “isso ou aquilo”, é um “tudo ao mesmo tempo agora”. O real é a terra onde plantamos as idéias. Ta certo, o real às vezes parece árido demais pra que alguma coisa brote, acho que por isso os artistas têm plantado tantos cactos, e a arte contemporânea é tão mórbida. Engraçado que quando penso em fazer um trabalho de arte respeitável, uma exposição que me de algum status e reconhecimento, sempre me ocorrem idéias mórbidas. Tenho a impressão que se for leve alegre, lúdico, continuarei a ser visto apenas como um bom artesão. Certo, eu não deveria me importar com isso, e ficar feliz de vender meus trabalhos na “ferinha”, mas como bom leonino não tenho muito talento pra humildade, alias acho humildade uma coisa bastante arrogante. Chega disso. Perdi-me novamente,
Estava tentando me responder a ultima frase da minha ultima postagem - “Comecei escrevendo que não sou pratico, mas poético, que a arte me interessa mais que a vida, e reafirmo isso. O surrealismo nasceu na minha vida no momento em que o abandonei. A partir do ponto que resolvi me tornar real, o mundo se desestruturou, e passo a passo foi se tornado cada vez mais irreal, minha luta foi vã porque lutei comigo.”
Bom , a resposta acho que já me dei, não se trata disso ou daquilo, e sempre que negligenciamos algo, e o jogamos na sombra, ele volta sorrateiro e descontrolado, mórbido. Isso é uma lei básica. Na primeira parte da vida negligenciei o real e tentei viver apenas o poético, a realidade aparecia de maneiras absurdas no meu caminho, como caminhar 35 km por não ter dinheiro pra pagar ônibus, ou pintar em porta de guarda roupas por não ter dinheiro pra comprar tela, enfim coisas que pra muitos é óbvia, mas pra mim não fazia sentido, eu não conseguia mexer numa maquina de calcular direito, e depois eu conto melhor essa parte, aqui o que interessa é apenas entender que eu me tornei completamente irreal, só não poderia ser considerado louco acho que por minha família ser bastante displicente, e eu não incomodar os vizinhos. E no fundo nunca perdi o fio da lógica, por mais fundo que entrei no labirinto nunca larguei meu novelinho de lã. Bom na segunda parte, isso depois de 2000 mais ou menos, ou um pouco antes, voltei pra realidade comecei a trabalhar, primeiro em uma banca de jornal, onde aprendi a calcular e lidar com dinheiro alheio e coisas prosaicas como necessidades de clientes,então percebi que se trabalhasse com horário e dedicação da mesma forma com algo relacionado a arte ganharia o triplo de dinheiro que estava ganhando, ai começaram os bonecos, os clientes, os clientes os bonecos, e dinheiro para planejar algo no mundo real. Tudo bem, continuei a trabalhar com algo relacionado a arte, mas o foco era a realidade, o preço, o produto, o cliente, o tempo, e não mais minhas discussões metafísicas e parangolescas do universo transcendental, a arte mesmo ficou em segundo ou terceiro plano, e então ela passou a se manifestar no meu dia a dia através do mundo ao meu redor, mas isso é sutil demais pra ser descrito. Me sinto dentro de um texto do Samuel Becket. Já está me enjoando isso, então concluindo, não sou pratico nem poético, eu não sou isso ou aquilo, no final das contas liberdade não é escolher isso ou aquilo, liberdade é reconhecer que sou tudo ao mesmo tempo agora. Não tem escolhas, eu sou todos os caminhos. E não é pra percorrer um de cada vez... burro. Rs
Na próxima postagem prometo voltar a linha de tempo e contar como vim parar em Tatuí.
CVPA parte III
(Buena, esse post foi escrito em 22 de abril, fiz a besteira de escrever no Word, pra poder editar melhor, então ficou por la mofando, eu ia deletar, já que estou longe do momento em que o escrevi, estava meio de luto por mais uma esperança de amor perdida, tinha acabado de mandar um e-mail de “chega disso” definitivo. mas percebi que esse post provocou uma discussão interna com conseqüências meio complicadas, resolvi então publicar e depois explicar, por isso ficou tão desconexo)
Eu não sou muito pratico, me preocupo mais com a poesia do que com a vida em si, um instante poético às vezes me vale mais que uma relação. Terminar com alguém e escrever uma bela carta de despedida, olhar um por de sol e sentir saudade, parece mais pleno que conviver com alguém e seus gases. Ou os meus, que são imbatíveis.Lembro de uma discussão, quando era realmente jovem (ainda sou jovem, mas não é mais de verdade...) uma discussão sobre transformar a vida numa obra de arte, a arte deveria ser vivida, a vida ser arte. Abandonei essa discussão faz tempo, apesar da arte ter muito mais peso na minha vida do que imaginava até dois minutos atrás. Vivo como quem escreve um livro. Um livro tedioso dramático... Engraçado, eu pressentia isso nas minhas crises de desespero, nos meus cortes, algo forjado, levemente falso, e ninguém nunca me levou a serio, eu sou uma comedia. Do tipo dom Quixote, uma comedia que não era pra ser comedia, e como no clown, sua graça está na proporção ao seu constrangimento. Da mesma forma que dom Quixote, também li muitos livros. Acho que no momento que comecei a pressentir o universo infantil saindo furtivamente, a francesa mesmo, da minha vida, isso lá pelos 13 anos, me agarrei em algo aparentemente adulto, o universo da literatura, e a arte, que ainda continha a magia das possibilidades, e o estado poético das coisas que o mundo adulto que eu vislumbrava me pedia que abandonasse, e então, sem perceber, formulei um tipo de mundo que eu pudesse viver a parte, com uma interpretação poética da realidade. Ou um interprete do poético dentro da realidade. (Essas duas ultimas frases dariam um post a parte, pois trazem em si uma contradição e a sutileza que separa o doente mental do artista, mas fica pra um outro momento..).
Desculpem, me propus a escrever de traz pra frente, e deveria estar falando da minha infância muito alem desse ponto, é que na busca da resposta de “como vim parar aqui” percebo que o fato do universo poético e o abandono dele num determinado ponto da historia contribuiu pra esse estado de coisas, e era necessário explicar o principio pra compreender a perda dele, ou melhor, explicar o que talvez tenha sido perdido. Foi quando tentei me tornar real, lá pelos 37 anos, quando cansei de ser artista pobre, maluco, enjoei desse personagem, que tantas pessoas são prisioneiras, e eu não queria continuar vivendo essas experiência poética de “feijão e o sonho” nos anos que se seguissem. Passei a ter aversão a todo tipo de alternativos, e à artistas batalhadores e incompreendidos, eu simplesmente queria aquilo que anos antes me apavorava, enfim, queria ser adulto, ter casa carro, e televisão, filhos não... Eu simplesmente me cansei de ser jovem. Me cansei de ser alternativo, isso foi em 2000, e acho que durante esses 10 anos vivi sob essa perspectiva, do real, e não poético, na medida do possível. A estrada veio desembocar aqui, nesse agora, nesse hoje estranho, surrealista. Engraçado como tudo é uma grande teia, e é difícil falar de algo sem tocar em outro algo, um ponto nasce de outro ponto que surgiu em outro ponto, organizar tudo isso de forma entendível é bastante complicado, principalmente quando não se quer ser parcial. Comecei escrevendo que não sou pratico, mas poético, que a arte me interessa mais que a vida, e reafirmo isso. O surrealismo nasceu na minha vida no momento em que o abandonei. A partir do ponto que resolvi me tornar real, o mundo se desestruturou, e passo a passo foi se tornado cada vez mais irreal, minha luta foi vã porque lutei comigo. Descobri isso nesse minuto. Ainda não tinha elaborado dessa forma, acho que descobri porque vim parar aqui.
continua