enfim, como odeio indecisões e acho que uma má decisão é sempre melhor que se manter flutuando no mundo das possibilidades, cedi, peguei tudo e fui pra casa da minha mãe.
conforme ia tirando os moveis ia dimensionando o que estava fazendo, dimensionando literalmente, no sentido espacial, já que morava só numa casa de dois quarto e uma sala imensa, e mesmo assim meu material de trabalho se estendia por mais de 50 por cento da casa, e passava para um quarto de 3X2 e uma lavanderia corredor. era enfiar a agua de uma piscina num tanquinho, vazava agua pra todo lado, e sou relativamente apegado a objetos aparentemente insignificantes, minha colher querida, minha caneca.... e depois meu jardim.... esse não dava pra carregar mesmo. vinte pés de abacaxi, um imenso pé de chuchu, minhas dez roseiras, meu pé de maracujá carregado, o pé de limão. quando era criança fiquei muito impressionado quando li "meu pé de laranja lima", e essa velha emoção voltou com o meu pé de limão azedo, sabia que estava cortando tudo aquilo, já que o novo morador com certeza ia se desfazer daquele meu jardim indígena, já que tudo era muito aleatório, numa estética paisagística bem particular beirando o naturalmente selvagem. e o céu imenso por cima dele também contava. a casa de minha mãe não tem quase espaços abertos pro céu, e eu tenho uma necessidade visceral de olhar para o céu, la é mais minha terra que aqui, aquele grande espaço azul e vazio, a dança das cores das nuvens, acompanhar as fases da lua, o mundo é tão ridículamente desorganizado e pequeno em comparação ao céu.
e a pergunta era e é essa: porque estou fazendo isso? alias essa pergunta me acompanha todos os dias desse ano e meio que se passou. "o que estou fazendo aqui?". é certo que pergunta parecida me acompanha desde o dia do meu primeiro pensamento formulado, "o que estou fazendo aqui?" nunca me conformei direito com o fato de existir nesse planeta, ele é demasiado desorganizado e estranho, desorganizado no sentido humano, estranho no sentido natural, já que humano e natural são distintos para mim. natural de natureza, daquele mundo organizado independente do humano. é um mundo perfeito, mas estranho, esse equilíbrio da vida sustentado na morte pra mim é muito estranho. quanto ao universo humano não é preciso muito dizer,é o próprio caos realizado. seres de diversas faixas evolutivas viajantes de planetas distintos, aqui se encontram como num porto de uma ilha sem dono, tentando realizar o que viviam em outras dimensões, criando uma torre de Babel estética ética cultural caótica de um individualismo ilógico, e pior de tudo é que não poderia ser diferente. a experiência de Deus nesse planeta é o mesmo que colocar numa ilha deserta e sem comunicação, um representante de cada nação, cultura, tribo. e numa ilha pequena.pois então imagine um índio, um fat americano, indiano, africano, baiano, paulista, amazonense, alemão, esquimó, australiano e todos os etecetares possíveis, e chamemos isso de familia, sociedade. a disposição natural é que cada um tente recriar seu velho mundo, mas para se construir algo é sempre necessário mais que uma mão, mas cada mão parece ocupada demais com seu próprio sonho,e então nascerão com certeza os jogos de poder, a lei do mais forte, e em seguida revolta mágoa, estéticas deformadas e mal feitas, e desorganização e caos. é esse o mundo que vivemos.
acho que me perdi em elocubrações e sai do tema,rs. mas de certa forma não. continuo falando da pergunta "o que estou fazendo aqui", e minha descrição da experiência humana interplanetária, cabe perfeitamente à descrição de uma familia. são vários extraterrestres limitados a um mesmo espaço físico obrigados ao confronto, a readaptação e recriação de linguagem, ética e estética, e em sequencias a criação de jogos de poder.
me refiro sempre a estética como manifestação formal do ser em si e no que o rodeia, pode parecer para alguns irrelevante, mas se falar é a expressão do que se pensa, a estética é a expressão do que se é como ser total, as vezes até em clara contradição do discurso falado. ou seja, a estética ainda é melhor comunicador do que a fala. e estética também é um problema sério que me deparei nessa mudança. não que eu seja organizado, do tipo limpinho, meu caos tem uma lógica particular.
continuo....
2 comentários:
Este é vc!!!!!
Outras pessoas diriam q estão em depressão a maioria q estão precisando de remédios e vc tem um jeito peculiar de viver intensamente a experiência sem se dopar abrindo mão das emoções e isso é realmente maravilhoso hj em dia.Já não digo mais q vc precisa disto ou daquilo pq vc é exatamente este!
outro
Quanto leio o que você escreve, sinto vontade de lhe dar um grande abraço e dizer são poucas pessoais que vem a este mundo, com tanta sensibilidade quanto você tem alma de artista rsrsrs tem espirito de escravos.....abraço forte da amiga virtual.
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