domingo, 18 de abril de 2010

como vim parar aqui PARTE II

...bom continuando a historia começada ai embaixo, o ambiente da minha casa ficou carregado e já não conseguia trabalhar direito, e a noite não dava pra dormir por causa do barulho, passei a dormir na casa da minha mãe, que me olhava com aquela cara de "Deus te castigou, porque voce brigou comigo...." conclusão terminou o contrato não encontrei outra casa, e como trabalhei muito pouco no fim do ano devido as minhas virtualidades existencialistas, fiquei relativamente descapitalizado, excessivamente cansado, e relativamente deprimido, e nada melhor que mãe nessas situações, ou pior, dependendo o ponto de vista, ja que é a brecha larga que abrimos pra que elas entrem como um elefante na nossa vida.... mas prefiro chamar isso de carinho, é mais simpático. me vi num beco sem saída, sabia que se voltasse seria fisgado e a ligação tão difícil de ser quebrada a 9 anos a traz seria refeita num passe de mágica, ou melhor dizendo num passo de um portão para outro. nuvem negra, nuvem negra.... e tem o fato de meu pai estar com 86 anos e levemente senil, e minha mãe precisar de alguém para ajuda-la nessa missão impossível de conviver com este ser. parece cruel falando assim, mas quem conheceu meu pai entenderia quanto difícil era existir ao seu lado, mesmo quando relativamente são.
enfim, como odeio indecisões e acho que uma má decisão é sempre melhor que se manter flutuando no mundo das possibilidades, cedi, peguei tudo e fui pra casa da minha mãe.
conforme ia tirando os moveis ia dimensionando o que estava fazendo, dimensionando literalmente, no sentido espacial, já que morava só numa casa de dois quarto e uma sala imensa, e mesmo assim meu material de trabalho se estendia por mais de 50 por cento da casa, e passava para um quarto de 3X2 e uma lavanderia corredor. era enfiar a agua de uma piscina num tanquinho, vazava agua pra todo lado, e sou relativamente apegado a objetos aparentemente insignificantes, minha colher querida, minha caneca.... e depois meu jardim.... esse não dava pra carregar mesmo. vinte pés de abacaxi, um imenso pé de chuchu, minhas dez roseiras, meu pé de maracujá carregado, o pé de limão. quando era criança fiquei muito impressionado quando li "meu pé de laranja lima", e essa velha emoção voltou com o meu pé de limão azedo, sabia que estava cortando tudo aquilo, já que o novo morador com certeza ia se desfazer daquele meu jardim indígena, já que tudo era muito aleatório, numa estética paisagística bem particular beirando o naturalmente selvagem. e o céu imenso por cima dele também contava. a casa de minha mãe não tem quase espaços abertos pro céu, e eu tenho uma necessidade visceral de olhar para o céu, la é mais minha terra que aqui, aquele grande espaço azul e vazio, a dança das cores das nuvens, acompanhar as fases da lua, o mundo é tão ridículamente desorganizado e pequeno em comparação ao céu.
e a pergunta era e é essa: porque estou fazendo isso? alias essa pergunta me acompanha todos os dias desse ano e meio que se passou. "o que estou fazendo aqui?". é certo que pergunta parecida me acompanha desde o dia do meu primeiro pensamento formulado, "o que estou fazendo aqui?" nunca me conformei direito com o fato de existir nesse planeta, ele é demasiado desorganizado e estranho, desorganizado no sentido humano, estranho no sentido natural, já que humano e natural são distintos para mim. natural de natureza, daquele mundo organizado independente do humano. é um mundo perfeito, mas estranho, esse equilíbrio da vida sustentado na morte pra mim é muito estranho. quanto ao universo humano não é preciso muito dizer,é o próprio caos realizado. seres de diversas faixas evolutivas viajantes de planetas distintos, aqui se encontram como num porto de uma ilha sem dono, tentando realizar o que viviam em outras dimensões, criando uma torre de Babel estética ética cultural caótica de um individualismo ilógico, e pior de tudo é que não poderia ser diferente. a experiência de Deus nesse planeta é o mesmo que colocar numa ilha deserta e sem comunicação, um representante de cada nação, cultura, tribo. e numa ilha pequena.pois então imagine um índio, um fat americano, indiano, africano, baiano, paulista, amazonense, alemão, esquimó, australiano e todos os etecetares possíveis, e chamemos isso de familia, sociedade. a disposição natural é que cada um tente recriar seu velho mundo, mas para se construir algo é sempre necessário mais que uma mão, mas cada mão parece ocupada demais com seu próprio sonho,e então nascerão com certeza os jogos de poder, a lei do mais forte, e em seguida revolta mágoa, estéticas deformadas e mal feitas, e desorganização e caos. é esse o mundo que vivemos.
acho que me perdi em elocubrações e sai do tema,rs. mas de certa forma não. continuo falando da pergunta "o que estou fazendo aqui", e minha descrição da experiência humana interplanetária, cabe perfeitamente à descrição de uma familia. são vários extraterrestres limitados a um mesmo espaço físico obrigados ao confronto, a readaptação e recriação de linguagem, ética e estética, e em sequencias a criação de jogos de poder.
me refiro sempre a estética como manifestação formal do ser em si e no que o rodeia, pode parecer para alguns irrelevante, mas se falar é a expressão do que se pensa, a estética é a expressão do que se é como ser total, as vezes até em clara contradição do discurso falado. ou seja, a estética ainda é melhor comunicador do que a fala. e estética também é um problema sério que me deparei nessa mudança. não que eu seja organizado, do tipo limpinho, meu caos tem uma lógica particular.

continuo....

2 comentários:

Nise disse...

Este é vc!!!!!
Outras pessoas diriam q estão em depressão a maioria q estão precisando de remédios e vc tem um jeito peculiar de viver intensamente a experiência sem se dopar abrindo mão das emoções e isso é realmente maravilhoso hj em dia.Já não digo mais q vc precisa disto ou daquilo pq vc é exatamente este!
outro

Ana Cleide Brazil disse...

Quanto leio o que você escreve, sinto vontade de lhe dar um grande abraço e dizer são poucas pessoais que vem a este mundo, com tanta sensibilidade quanto você tem alma de artista rsrsrs tem espirito de escravos.....abraço forte da amiga virtual.