sexta-feira, 4 de junho de 2010

Relendo esse ultimo texto, depois de um tempo que o escrevi percebo que a sutiliza das duas frases que sublinhei la em cima, as que mereciam um post a parte, talvez tragam a solução e a moral desse post. Ou seja, o artista deve ser um tradutor do poético dentro da realidade e trazer esse universo para o mundo real, e como um bom tradutor entender muito bem as duas linguagens, como uma espécie de médium, fazer a ponte entre um mundo e outro, sem perder o que tem de humano e prosaico, o comum que nos une. já o louco, simplesmente mergulha no universo imaginário e simbólico passando a viver por lá, e desaprendendo a linguagem do real se torna por aqui apenas um fantasma, ou melhor dizendo, um corpo sem alma, já que sua alma está em outro país, o do imaginário.

E sobre a velha discussão de viver a arte, eis ai minha resposta por agora, não é uma questão de escolha, entre arte e real, poético e pratico, não se trata de “isso ou aquilo”, é um “tudo ao mesmo tempo agora”. O real é a terra onde plantamos as idéias. Ta certo, o real às vezes parece árido demais pra que alguma coisa brote, acho que por isso os artistas têm plantado tantos cactos, e a arte contemporânea é tão mórbida. Engraçado que quando penso em fazer um trabalho de arte respeitável, uma exposição que me de algum status e reconhecimento, sempre me ocorrem idéias mórbidas. Tenho a impressão que se for leve alegre, lúdico, continuarei a ser visto apenas como um bom artesão. Certo, eu não deveria me importar com isso, e ficar feliz de vender meus trabalhos na “ferinha”, mas como bom leonino não tenho muito talento pra humildade, alias acho humildade uma coisa bastante arrogante. Chega disso. Perdi-me novamente,

Estava tentando me responder a ultima frase da minha ultima postagem - “Comecei escrevendo que não sou pratico, mas poético, que a arte me interessa mais que a vida, e reafirmo isso. O surrealismo nasceu na minha vida no momento em que o abandonei. A partir do ponto que resolvi me tornar real, o mundo se desestruturou, e passo a passo foi se tornado cada vez mais irreal, minha luta foi vã porque lutei comigo.”

Bom , a resposta acho que já me dei, não se trata disso ou daquilo, e sempre que negligenciamos algo, e o jogamos na sombra, ele volta sorrateiro e descontrolado, mórbido. Isso é uma lei básica. Na primeira parte da vida negligenciei o real e tentei viver apenas o poético, a realidade aparecia de maneiras absurdas no meu caminho, como caminhar 35 km por não ter dinheiro pra pagar ônibus, ou pintar em porta de guarda roupas por não ter dinheiro pra comprar tela, enfim coisas que pra muitos é óbvia, mas pra mim não fazia sentido, eu não conseguia mexer numa maquina de calcular direito, e depois eu conto melhor essa parte, aqui o que interessa é apenas entender que eu me tornei completamente irreal, só não poderia ser considerado louco acho que por minha família ser bastante displicente, e eu não incomodar os vizinhos. E no fundo nunca perdi o fio da lógica, por mais fundo que entrei no labirinto nunca larguei meu novelinho de lã. Bom na segunda parte, isso depois de 2000 mais ou menos, ou um pouco antes, voltei pra realidade comecei a trabalhar, primeiro em uma banca de jornal, onde aprendi a calcular e lidar com dinheiro alheio e coisas prosaicas como necessidades de clientes,então percebi que se trabalhasse com horário e dedicação da mesma forma com algo relacionado a arte ganharia o triplo de dinheiro que estava ganhando, ai começaram os bonecos, os clientes, os clientes os bonecos, e dinheiro para planejar algo no mundo real. Tudo bem, continuei a trabalhar com algo relacionado a arte, mas o foco era a realidade, o preço, o produto, o cliente, o tempo, e não mais minhas discussões metafísicas e parangolescas do universo transcendental, a arte mesmo ficou em segundo ou terceiro plano, e então ela passou a se manifestar no meu dia a dia através do mundo ao meu redor, mas isso é sutil demais pra ser descrito. Me sinto dentro de um texto do Samuel Becket. Já está me enjoando isso, então concluindo, não sou pratico nem poético, eu não sou isso ou aquilo, no final das contas liberdade não é escolher isso ou aquilo, liberdade é reconhecer que sou tudo ao mesmo tempo agora. Não tem escolhas, eu sou todos os caminhos. E não é pra percorrer um de cada vez... burro. Rs

Na próxima postagem prometo voltar a linha de tempo e contar como vim parar em Tatuí.

Um comentário:

Nadia disse...

Caraca vc eh mto bom nas modelagens.
Vc aceita encomenda? Preciso desse tipo de trabalho. Entra em contato comigo. nadia.tour@gmail.com