segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

natal 2010

esse ano, não sei por que cargas d'agua, resolvi que queria um natal lindo, de filme americano, luzes, presépio, arvore de natal, ceia, e claro uma familia reunida, o que é mais difícil de encontrar.
Encerrei meu trabalho no principio de dezembro e comecei a modelar um presépio, foi tudo muito estranho. acho que fiquei doente varias vezes esse ano, minha irmã super poderosa ficou muitíssimo doente,e perdi uma pessoa muito importante, que nunca pensei que fosse embora,então comecei a dimensionar no meu cérebro a finitude. tudo bem, sempre vivi achando que ia morrer logo, mas percebi esse ano que meu "saber" era apenas metafórico, porque no final das contas, a morte sempre foi uma metáfora pra mim. mas esse ano ela se materializou, e na real ela é dolorosamente indescritível e desconfortavel, um buraco estranho, sem solução. uma ida sem volta. acho que como artista , e por ser bastante infantil, tenho uma visão mágica do mundo, onde tudo tem jeito, onde podemos brincar de ir e vir, fingir que está doente, triste, e nada ter conseqüências irremediáveis, sempre me vi como ator, representando coisas, mas no fim tiramos a maquilagem e tudo volta ao normal. o normal... eis o ponto. quando era criança sempre criava universos no quintal, brincava de ser rei ou mendigo, alma do outro mundo , guerreiro e perdedor, e no fim da brincadeira, tinha lá a casa e minha familia, no mesmo lugar, o feijão na mesa o arroz, tomava um banho, e tudo voltava a um calmo e aconchegante normal. meu pai era irritado, brigava muito, minha mãe distante, mas eles estavam lá. e apesar do mal estar , eu me sentia protegido. era normal. depois que cresci, brinquei disso por muito tempo, ir pro quintal-mundo, e me fingir de rei, mendigo, louco, apaixonado, artista, mal-amado, e depois voltar pra casa, meio rasgado e triturado, voltava então pro mundo normal, meu pai irritado, minha mãe distante, o cheiro do feijão, e uma cama confortavel. mas nos últimos tempos, tenho percebido que esse normal está se desfazendo, que vai chegar um momento não terei pra onde voltar, o que torna o meu ir cada vez mais tímido... me encontro cada vez mais com os caminhos sem volta, decisões que não podem voltar a traz, e que apesar de todos os livros espíritas e todos os consolos religiosos, as pessoas morrem, e nenhuma psicografia pode trazer o mundo normal de volta. bom, tudo isso dito pra dizer que me vi envolvido em organizar o natal e querer reunir as pessoas como se fosse a ultima festa, uma coisa inexplicável. porque estou dizendo tudo isso? nem sei, só estou falando como foi meu natal. teve um monte de detalhes, muito desapego, respirações prolongadas pra não perder a paciência, receitas erradas, e certas, mas no final foi bom, trabalho realizado. o simbolo mais forte do natal, é o nascimento do novo nas condições mais adversas. a flôr de lótus.
...eis a lição que a vida me propõe: construir novos "normais", novos aconchegos, porque eu querendo ou não tudo muda o tempo todo, e esse mundo aqui se baseia na transformação, independente da minha preguiça....

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá Guilherme,
meu nome é Natalia e tenho uma boneca palhaça feita por você.
Adoro o seu trabalho!
Gostaria de fazer duas encomendas com você mas não consigo achar seu email nos seus blogs,
Entre em contato comigo?
natsambrini@gmail.com
Obrigada!
Bj e Parabéns pelo trabalho!