O que ele quer? E difícil responder esta pergunta, se é que ha alguma resposta. Parece que não há exatamente um querer, mas um ser, fechado em si mesmo como um circulo se repetindo, uma obra pronta, um filme com começo meio e fim, um personagem destinado a representar determinado papel. Uma redoma, e todas estas considerações parecem fazer parte deste circulo, fazer perguntas procurar caminhos faz parte do circulo, como um personagem que torcemos para que siga este ou aquele caminho, quando o filme já está pronto, não é uma obra interativa, criarmos expectativas, faz parte das intenções do autor. E eu não acredito em nada disso. Matrix novamente, todo o cenário, duvidas, para criar uma sensação de realidade, que algo pode acontecer fora do previsto, que podemos mudar o destino dos personagens com nossa vontade.e em contra posição, a liberdade. Ela faz parte do roteiro? Acreditar nela buscá-la, faltar forças, desistir , deprimir, esperar passar, melhorar, se conformar, recriar forças, acreditar que pode ser diferente, procurar saídas, encontrar caminhos, percorrê-los,chegar a determinado lugar, sentar feliz, feliz, normal, estranho, incomodado, tédio, e novamente o mesmo filme. Realização e tédio se alternam como duas polaridades de uma mesma moeda. No fundo ele queria voltar pra casa. Aquele lugar que ele não consegue encontrar, aquele lugar quente e aconchegante. Como que sentado ,viajando num trem ele vê se alternarem,belas paisagens lugares áridos, cidades bonitas feias, mas quando cansa de olhar pela janela, vê que apenas está sentado num banco de madeira, desconfortável, e se fechar os olhos, percebe que não está se movendo, sempre está naquele banco duro, o trem se move e o leva para ver paisagens que apenas passam pela janela, nunca para em lugar nenhum, ele apenas vê, não participa. Talvez seja isto, ele não participa.às vezes ele representa, e de um modo geral é tão bom ator que se esquece que está representando, sempre uma realidade que não é sua. E onde está sua realidade? Quando ele deveria pular fora do trem, e cair dentro de uma paisagem real? Onde fica essa casa para a qual ele deveria voltar? Depois de algum tempo, algum dia, algum lugar,já não soam com melancolia mas como tristeza e tédio. Acreditar no algum dia parece fazer parte do filme, da matrix , acreditar em dias melhores, faz com que suportemos a realidade presente, mas não faz mudar nada, faz parte da matrix. É apenas um sedativo, um anestésico, analgésico, antitérmico, mas esse não é o seu mundo, não haverá dias melhores, por isso ficar triste é mais real, chorar é estar vivo e ser de verdade, e o pessimismo faz sentido. Não é apologia a tristeza, Na verdade ele nem é triste, ou pessimista, apenas está no lugar errado, vivendo experiências desnecessárias . ele permanece na adolescência, não conseguiu crescer porque não tem alimento neste lugar.esse lugar não é o paraíso, o paraíso faz parte da matrix. Pra que lugar real ele precisa voltar? Que lugar real, e onde fica? Explicações espíritas explicam, não resolvem. Ele precisa encontrar sua casa neste mundo, porque se não, a viajem foi desperdiçada. Desculpas para não se mover? Todas estas considerações parecem fazer parte do jogo, e realmente são desculpas para não se mover, por que ele sabe lá no fundo que caminhar dentro do trem, ir sentar na primeira classe, onde os bancos são estofados, ou ir para o vagão leito, onde pode dormir e ficar mais confortável, só o fará adiar a decisão de pular do trem, não para a morte, mas para viver a vida real. Mas dentro do trem, olhando pela janela, as paisagens parecem às vezes hostis, e pular pode doer. Ele sente a dor da angustia, ele quer sentir esta dor, para se sentir real. Por que teme a dor desconhecida da queda, quando pular do trem.
Ele respirou fundo e pulou. De olhos fechados, pulou. Escutou o baque seco do seu corpo contra a terra, e o barulho das rodas do trem, muito perto de sua cabeça. Depois o barulho foi diminuindo, e ele só abriu os olhos quando o trem já ia sumindo pelo caminho. Sentou. E olhou ao redor. Prefiro não imaginar o que ele encontrou, que isso faz parte das considerações de esperanças que mantêm a matrix,vou dizer que ele pulou e caiu dentro da vida real. Mas eu não sei se isso é verdade.
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2 comentários:
Mas o q seria a vida real? Talvez a vida do vagão seja real , talvez ele tenha desperdiçado a oportunidade de viver o trem p imaginar o q poderia encontrar fora dele e não se entregou a experiência do agora .ACEITAÇÃO, só atravez dela vc pode pular a fase do game. Viver profundamente a fase do expectador pode ser a grande viagem.Insatisfação constante é a chave da falta de questão de quem pode ter o mundo em sua janela.
a verdadeira viagem esta no percurso assim como a felicidade encontra-se neste pois ao chegar no destino a viajem acaba , mas a esperança permanece!!!! e quando esta é nutrida, a vida continua seu percurso! é o que sinto! muito boa reflexao meu caro!
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